Curva do esquecimento: o que é e como vencer
A curva do esquecimento mostra como a lembrança do que você estudou cai com o tempo quando não há revisão: a queda é rápida nas primeiras horas e dias e depois fica lenta. Foi medida pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus em 1885. Cada revisão feita na hora certa leva a lembrança de volta para cima e deixa a queda seguinte mais lenta.
O que Ebbinghaus mediu?
Ebbinghaus decorava listas de sílabas inventadas, sem sentido, até conseguir recitá-las sem erro. Depois de um tempo, reaprendia a mesma lista e media quanto trabalho tinha poupado em relação à primeira vez. Essa economia mostra quanto ainda estava guardado na memória.
| Tempo depois do estudo | Economia ao reaprender |
|---|---|
| 20 minutos | 58% |
| 1 hora | 44% |
| 9 horas | 36% |
| 1 dia | 34% |
| 2 dias | 28% |
| 6 dias | 25% |
| 31 dias | 21% |
Uma hora depois, mais da metade do trabalho precisava ser refeita. Passado o primeiro dia, a queda fica bem mais lenta: entre o segundo dia e o fim do mês, a perda é pequena.
É verdade que esquecemos 70% em 24 horas?
É uma simplificação. O número sai da tabela acima (34% de economia depois de um dia), mas ela mede sílabas sem sentido, decoradas por uma única pessoa: o próprio Ebbinghaus. Além disso, "economia ao reaprender" não é o mesmo que "porcentagem lembrada". Conteúdo que faz sentido e se liga ao que você já sabe costuma cair mais devagar.
O que se confirmou foi o formato da curva. Em 2015, pesquisadores da Universidade de Amsterdã repetiram o experimento com o mesmo método e chegaram a uma curva muito parecida com a de 1885.
O que faz a curva cair mais devagar?
- Entender antes de decorar. Conteúdo com sentido resiste mais do que uma lista solta.
- Revisar em intervalos. O próprio Ebbinghaus viu isso: ao reaprender as mesmas listas em dias seguidos, precisava de menos repetições a cada dia. É a base da revisão espaçada.
- Lembrar em vez de reler. Puxar o conteúdo da memória, sem olhar o material, fixa mais do que passar os olhos de novo. É a recordação ativa.
Como vencer a curva do esquecimento na prática
- Faça a primeira revisão cedo. Entre 1 e 3 dias depois do estudo, que é quando a queda é mais forte.
- Aumente o intervalo a cada revisão. Por exemplo: 7 dias depois, e então 30 dias depois.
- Revise lembrando. Tente responder de cabeça antes de abrir o material.
- Anote o que errou. O que você erra volta antes; o que está firme pode esperar.
A calculadora de revisão espaçada mostra as datas de cada revisão a partir do dia do estudo.
Perguntas frequentes
Quem criou a curva do esquecimento?
Hermann Ebbinghaus (1850–1909), psicólogo alemão, no livro "Über das Gedächtnis" (Sobre a memória), publicado em 1885.
A curva do esquecimento é igual para todo mundo?
Não. O formato se repete, com queda rápida no começo e lenta depois, mas a velocidade muda com o conteúdo, com o quanto ele faz sentido para você e com o que você já sabia do assunto.
Quanto tempo depois de estudar devo revisar?
A primeira revisão entre 1 e 3 dias depois do estudo. As seguintes, com intervalos maiores, como 7 e 30 dias.
Dá para parar de esquecer?
Não dá para zerar o esquecimento, mas dá para deixar a curva mais plana. Cada revisão bem espaçada faz a lembrança durar mais tempo antes da próxima queda.
Fontes
- Ebbinghaus, H. (1885). Memory: A Contribution to Experimental Psychology (tradução de 1913), capítulos 7 e 8.
- Murre, J. M. J. e Dros, J. (2015). Replication and analysis of Ebbinghaus' forgetting curve. PLOS ONE, 10(7), e0120644.