Revisão espaçada: o que é e como fazer
Revisão espaçada é estudar um assunto e voltar a ele algumas vezes, com intervalos que vão aumentando (por exemplo, 1, 7 e 30 dias depois), em vez de reler tudo na véspera. Cada volta acontece quando a lembrança começa a falhar, e o esforço de puxar o conteúdo de novo é o que faz ele durar. Também é chamada de repetição espaçada.
Por que revisar aos poucos funciona melhor?
Porque a memória cai rápido logo depois do estudo e mais devagar depois de cada retomada. Esse desenho é a curva do esquecimento, medida por Hermann Ebbinghaus em 1885. Revisar quando o assunto está quase escapando custa pouco tempo e rende muito.
O efeito é um dos mais repetidos da psicologia da aprendizagem. Uma revisão de 2006 juntou 317 experimentos de 184 artigos e concluiu que separar as sessões de estudo no tempo dá mais lembrança depois do que concentrar tudo de uma vez. Em 2013, outra revisão comparou dez técnicas de estudo e deu nota alta de utilidade a só duas: a prática distribuída, que é a revisão espaçada, e os testes práticos, que são a recordação ativa. Reler e grifar ficaram com nota baixa.
Quais intervalos usar?
Não existe número mágico. O que importa é o formato: a primeira revisão vem cedo e as seguintes ficam cada vez mais distantes. Estes são os esquemas mais usados:
| Esquema | Revisões depois do estudo | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| 24h, 7 e 30 | 1, 7 e 30 dias | O mais conhecido entre concurseiros. Bom ponto de partida. |
| 3, 7 e 30 | 3, 7 e 30 dias | Ciclo padrão do plano gratuito do Revisa Fácil. Dá para ajustar. |
| Intensivo | 1, 3, 7, 15, 30 e 60 dias | Conteúdo que pede memorização literal: lei seca, fórmulas, datas. |
O intervalo certo também depende de quanto tempo falta para a prova. Num estudo de 2008 com mais de 1.350 pessoas, o melhor intervalo entre o estudo e a revisão ficou perto de 20% do tempo até o teste quando ele estava a poucas semanas, e caiu para perto de 5% quando estava a um ano. Na prática: quanto mais longe a prova, mais espaçadas podem ser as revisões.
Para ver as datas no calendário, use a calculadora de revisão espaçada.
Como fazer revisão espaçada em 5 passos
- Anote o que estudou e quando. Um assunto por linha: "Crase", "Controle de constitucionalidade", "Função do 2º grau". Sem a data do estudo não há como espaçar.
- Marque as datas das revisões. Escolha um esquema da tabela e some os dias à data do estudo. Vale agenda, planilha ou app.
- Na revisão, tente lembrar antes de olhar. Feche o material e responda de cabeça: o que é, como funciona, onde costuma cair. Só depois confira. Reler passivamente ajuda pouco.
- Ajuste pelo resultado. Lembrou com facilidade? A próxima revisão pode ficar mais longe. Travou ou errou? Traga o assunto de volta para um intervalo curto.
- Comece o dia pelas revisões. Primeiro o que vence hoje, depois o conteúdo novo. Revisão atrasada vira bola de neve.
Quais são os erros mais comuns?
- Revisar relendo. Passar os olhos no resumo dá sensação de domínio, mas não treina a lembrança.
- Usar o mesmo intervalo para tudo. Assunto que você erra precisa voltar antes; assunto firme pode esperar.
- Deixar acumular. Vinte revisões atrasadas desanimam. É melhor fazer uma versão curta de cada uma do que pular todas.
- Só estudar conteúdo novo. Sem revisão, o começo do edital some antes da prova.
- Começar a revisar tarde. A revisão espaçada rende mais quando começa junto com o estudo, e não no último mês.
Serve para concurso, ENEM e OAB?
Serve, e quanto maior o conteúdo, mais ela ajuda. Um edital com dezenas de assuntos significa dezenas de datas de revisão correndo ao mesmo tempo. O método é o mesmo para qualquer prova. O que muda é o tempo até lá e o tipo de conteúdo: mais lei seca e jurisprudência em concurso e OAB, mais conceitos e exercícios no ENEM e nos vestibulares.
Agenda, planilha, Anki ou app?
Qualquer um funciona, desde que você abra todos os dias.
- Agenda ou planilha: grátis e simples. O custo é calcular e remarcar tudo à mão.
- Anki: programa de flashcards gratuito no computador e no Android. Você cria os cartões e ele calcula o intervalo de cada um.
- Revisa Fácil: você cadastra o assunto estudado e ele marca as revisões na agenda. No plano gratuito, o ciclo é fixo (3, 7 e 30 dias) e você pode ajustar. No PRO, a Revisão Inteligente escolhe o dia de cada assunto pelo seu desempenho.
Perguntas frequentes
Revisão espaçada e repetição espaçada são a mesma coisa?
Sim. São dois nomes para o mesmo método, vindos do inglês spaced repetition. "Repetição espaçada" aparece mais quando o assunto são flashcards.
Quantas vezes preciso revisar cada assunto?
Não há número fixo. O esquema clássico usa três revisões (1, 7 e 30 dias). Assuntos que você continua errando pedem mais voltas, com intervalos curtos; os que estão firmes podem esperar mais.
O que fazer quando atraso uma revisão?
Faça assim que puder e siga o esquema a partir do dia em que revisou de fato. Um atraso de poucos dias não estraga o método; abandonar as revisões, sim.
Funciona para matérias de cálculo?
Funciona, com um ajuste: em vez de relembrar um texto, você refaz exercícios do assunto na data da revisão, sem olhar a resolução.
Fontes
- Ebbinghaus, H. (1885). Memory: A Contribution to Experimental Psychology (tradução de 1913).
- Cepeda, N. J., Pashler, H., Vul, E., Wixted, J. T. e Rohrer, D. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: A review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3), 354–380.
- Cepeda, N. J., Vul, E., Rohrer, D., Wixted, J. T. e Pashler, H. (2008). Spacing effects in learning: A temporal ridgeline of optimal retention. Psychological Science, 19(11), 1095–1102.
- Dunlosky, J., Rawson, K. A., Marsh, E. J., Nathan, M. J. e Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4–58.